Ministério do Meio Ambiente declarou estado de emergência de abril a dezembro de 2026 por risco de queimadas; bioma teve aumento de 323% na área queimada em janeiro
Mato Grosso começa o segundo semestre de 2026 sob uma sombra familiar e preocupante: o risco de incêndios florestais que podem atingir o Pantanal e o Cerrado durante os meses mais secos do ano. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima declarou estado de emergência ambiental para o Pantanal de abril a dezembro de 2026 por causa do risco de incêndios florestais, em portaria assinada pela ministra Marina Silva. A medida antecipou o regime de atenção especial para o bioma e permitiu a contratação emergencial de brigadistas federais antes do período mais crítico. A Crítica
Estado de emergência reforça ações preventivas
Os dados do início do ano já sinalizavam o que estava por vir. O Pantanal registrou aumento de 323% nas queimadas em janeiro de 2026, com 38 mil hectares atingidos pelo fogo, enquanto o Brasil como um todo registrou redução de 36% na área queimada no mesmo período. A divergência entre a tendência nacional e o comportamento do bioma pantaneiro revela que o Pantanal segue em uma trajetória de risco própria, influenciada por condições locais que não acompanham as melhorias observadas em outros biomas. Campo Grande News
El Niño amplia o risco de incêndios florestais
A portaria leva em conta, entre outros fatores, a influência do fenômeno climático El Niño, que tende a intensificar o calor e ampliar o risco de incêndios florestais em 2026. O fenômeno aumenta a vulnerabilidade especialmente no Pantanal, no Cerrado e na Mata Atlântica. Em Mato Grosso, onde o Cerrado cobre extensas áreas e o Pantanal ocupa a porção sudoeste do estado, o El Niño se traduz em ondas de calor mais frequentes e chuvas irregulares, a combinação mais perigosa para a vegetação nativa. A Crítica
Histórico recente reforça a necessidade de vigilância
O histórico recente do bioma serve como alerta. Em 2024, o Pantanal viveu uma das piores temporadas de fogo de que se tem registro, com quase 1,9 milhão de hectares destruídos. Em 2025, o Pantanal registrou queda de 92% na área queimada comparada ao ano anterior, com a área afetada caindo de 1,7 milhão para 134 mil hectares, graças a melhores condições climáticas e ao reforço da fiscalização ambiental. O problema é que o El Niño pode desfazer esses avanços em uma única temporada ruim. Campo Grande News
Investimentos fortalecem o combate às queimadas
O governo mato-grossense tem investido no aparato de combate a incêndios. O Governo de Mato Grosso destina R$ 78 milhões ao Corpo de Bombeiros Militar, com foco no fortalecimento da estrutura e da capacidade operacional da corporação. Além do investimento financeiro, sistemas de monitoramento em tempo real permitem identificar focos ainda em estágio inicial, reduzindo o risco de que incêndios de pequena escala se transformem em emergências de grandes proporções. BOMBEIROS
Previsões climáticas mantêm cenário de alerta
O Ministério do Meio Ambiente atualizou suas previsões climáticas em março de 2026, com especialistas confirmando que o cenário de altas temperaturas em todo o país se mantém, com chuvas abaixo da média nas regiões Centro-Oeste e Nordeste entre abril e junho. Para Mato Grosso, isso significa que o período de maior vulnerabilidade já está em curso, e a atuação dos órgãos de fiscalização e combate precisa ser contínua. GOV.BR
Queimadas afetam também a economia estadual
A questão ambiental tem desdobramentos que vão além da ecologia. As queimadas no Pantanal e no Cerrado afetam diretamente o agronegócio mato-grossense, principal motor da economia estadual. A fumaça reduz a visibilidade nas rodovias, eleva os custos logísticos, prejudica a saúde dos trabalhadores rurais e pode comprometer safras inteiras nas regiões afetadas.
Proteção ambiental entra na pauta das eleições
Preservar o Pantanal é, portanto, também uma questão econômica para Mato Grosso. Os candidatos ao governo estadual que disputam as eleições de outubro precisarão explicar ao eleitorado como pretendem equilibrar a pressão sobre o uso da terra com a necessidade de proteger um bioma que é referência ambiental mundial e que sustenta indiretamente parte da produção agropecuária do estado.
Fontes consultadas:
- A Crítica de Campo Grande: emergência ambiental Pantanal 2026
- Campo Grande News: queimadas no Pantanal em janeiro 2026
- Campo Grande News: Pantanal respira em 2025
- Ministério do Meio Ambiente: previsões climáticas 2026
- Corpo de Bombeiros MT: redução de queimadas
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










