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Corrida ao governo de Mato Grosso pode ter primeiro segundo turno em duas décadas

Corrida ao governo de Mato Grosso pode ter primeiro segundo turno em duas décadas
Corrida ao governo de Mato Grosso pode ter primeiro segundo turno em duas décadas

Pulverização de votos entre pré-candidatos abre cenário inédito na disputa pelo Palácio Paiaguás nas eleições de 2026.

Desde a redemocratização, Mato Grosso nunca precisou de segundo turno para definir seu governador. Nomes como Blairo Maggi, Silval Barbosa e, mais recentemente, Mauro Mendes, sempre venceram a disputa já na primeira votação, com a única exceção sendo Pedro Taques, eleito em 2014 mas derrotado na tentativa de reeleição em 2018. Para 2026, no entanto, uma pergunta ganha força entre analistas políticos do estado: será que essa tradição de duas décadas está prestes a chegar ao fim? Levantamentos recentes indicam um cenário de disputa mais equilibrada do que o habitual, com votos distribuídos entre diferentes pré-candidatos ao Palácio Paiaguás.

Quem disputa a sucessão de Mauro Mendes

Mauro Mendes, do União Brasil, não pode concorrer à reeleição, já que cumpre o segundo mandato consecutivo à frente do estado, limite previsto na legislação eleitoral. Ele deixou o comando do Executivo em março para disputar uma vaga no Senado e foi substituído pelo então vice-governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, que assumiu o Executivo estadual e se tornou o principal nome ligado à continuidade da atual gestão. Produtor rural e ex-prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos, Pivetta busca reunir o apoio de setores do agronegócio e de lideranças conservadoras para chegar fortalecido à campanha.

Do lado da oposição a esse grupo, o cenário reúne nomes como o senador Wellington Fagundes, do PL, apontado como o principal favorito em pesquisas de intenção de voto realizadas ao longo do primeiro semestre, e o senador Jayme Campos, do União Brasil, ex-governador e um dos políticos mais experientes do estado. A médica Natasha Slhessarenko, do PSD, também aparece como uma alternativa que busca polarizar o debate eleitoral, com potencial de atrair parte do eleitorado alinhado ao governo federal. Outros nomes, como o empresário rural Maurício Tonhá, do Democracia Cristã, e o analista político Rafaell Milas, ligado ao Movimento Brasil Livre, completam uma lista de ao menos oito pré-candidaturas já em articulação.

Por que o segundo turno passou a ser considerado

A avaliação de que Mato Grosso pode enfrentar um segundo turno inédito nasce da constatação de que o eleitorado está mais fragmentado entre os campos ideológicos do que em pleitos anteriores. Enquanto Pivetta tenta converter a força da gestão estadual em votos suficientes para vencer ainda na primeira rodada, a pulverização de apoios entre Wellington Fagundes, Natasha Slhessarenko e outros concorrentes dificulta a formação de uma maioria absoluta para qualquer um dos lados. Esse tipo de dispersão de votos é justamente o ingrediente que, em outros estados, costuma levar disputas ao segundo turno.

O eleitorado do interior mato-grossense deve ser decisivo nesse cenário. Embora o agronegócio continue sendo o principal pilar econômico do estado, as lideranças rurais aparecem divididas entre diferentes projetos políticos, o que obriga os candidatos a uma busca mais intensa por apoio de prefeitos e vereadores em municípios do interior. As convenções partidárias, previstas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, e o prazo final para registro de candidatura, em 15 de agosto, devem reduzir o número de concorrentes e dar mais clareza ao cenário eleitoral nas próximas semanas.

O que essa indefinição significa para o eleitor mato-grossense

Para o setor produtivo e para o consumidor do estado, um eventual segundo turno significaria um período mais longo de indefinição política, o que tende a influenciar decisões de investimento e o planejamento de obras estruturantes que dependem de continuidade administrativa. A disputa acirrada também coloca em pauta temas como a continuidade de projetos de infraestrutura e a gestão da saúde pública estadual, questões que afetam diretamente o custo de vida e o ambiente de negócios em Mato Grosso.

Enquanto partidos e federações finalizam suas coligações, o eleitor mato-grossense tem à frente um período de intensa movimentação política, com pesquisas eleitorais periódicas ajudando a mapear as tendências de voto. Vale lembrar que esses levantamentos são retratos de um momento específico da campanha, não previsões definitivas do resultado das urnas, e podem mudar conforme o cenário se consolida ao longo dos próximos meses até a votação, marcada para 4 de outubro.

Fontes consultadas: CenárioMT | Exame | ND Mais