Boa parte do milho exportado pelo Brasil hoje não vem da safra principal, plantada junto com a soja, mas de um segundo ciclo conhecido como safrinha, cultivado logo depois da primeira colheita. O empresário Wander Aguilera Almeida trata essa segunda safra como peça central da estratégia de muitos produtores, mesmo sendo historicamente vista como cultura secundária dentro do calendário agrícola.
Entender por que a safrinha ganhou esse peso ajuda a compreender também os riscos específicos que a cercam, diferentes dos enfrentados pela primeira safra plantada no início do ano agrícola. Veja abaixo por que essa segunda colheita se tornou tão relevante para o resultado final do produtor brasileiro.
Por que a safrinha se tornou tão relevante para o milho brasileiro?
A safrinha já responde pela maior parte da produção nacional de milho, superando com folga o volume colhido na primeira safra plantada em paralelo à soja no início do ano agrícola. Wander Aguilera Almeida percebe que esse crescimento aconteceu de forma gradual, à medida que produtores perceberam a viabilidade de aproveitar a mesma área para dois ciclos produtivos no mesmo ano.
Plantar milho logo após a colheita da soja permite ao produtor extrair mais valor da mesma terra sem custos adicionais de arrendamento, otimizando a estrutura já disponível na propriedade ao longo de todo o ano agrícola sem precisar expandir a área plantada.
Que riscos climáticos tornam a safrinha mais sensível que a primeira safra?
O plantio tardio da safrinha, que só começa depois da colheita da soja, expõe o milho a uma janela climática mais estreita e mais sujeita a veranicos justamente na fase crítica de desenvolvimento da planta. De acordo com Wander Aguilera Almeida, esse calendário apertado é o principal motivo pelo qual a safrinha costuma apresentar maior variação de produtividade entre um ano e outro.

Atrasar a colheita da soja em poucos dias pode empurrar o plantio do milho para fora da janela ideal, reduzindo a produtividade esperada e aumentando a exposição da lavoura a condições climáticas menos favoráveis no restante do ciclo produtivo daquela safra.
Como a safrinha influencia as decisões de comercialização do produtor?
Como grande parte do milho brasileiro exportado vem da safrinha, o calendário de colheita dessa segunda safra passou a ditar boa parte do ritmo de embarques do produto no segundo semestre de cada ano. Wander Aguilera Almeida ressalta que acompanhar de perto essa janela específica ajuda o produtor a entender melhor o comportamento do preço ao longo do ano.
Um atraso generalizado na colheita da safrinha, causado por clima desfavorável em regiões produtoras importantes, tende a pressionar os preços para cima justamente pela redução temporária da oferta disponível para exportação naquele período específico do ano.
O que essa dependência da safrinha significa para o futuro do setor?
A concentração da produção de milho na safrinha, e não mais na primeira safra, muda a forma como todo o setor precisa se planejar, desde o produtor até quem intermedia a exportação da mercadoria. Wander Aguilera Almeida avalia que essa mudança de calendário exige atenção redobrada justamente nos meses em que o risco climático é maior.
Investir em variedades de milho mais resistentes a plantio tardio e em técnicas que reduzam o intervalo entre a colheita da soja e o plantio seguinte tem sido uma das respostas do setor para lidar com essa vulnerabilidade estrutural da safrinha brasileira. A segunda safra deixou de ser complemento e passou a ser protagonista da produção de milho no Brasil, o que torna essencial entender seus riscos específicos para qualquer um que dependa desse calendário para negociar bem a própria produção.










