Segundo Haroldo Augusto Filho, executivo com atuação em negociação empresarial e ambientes corporativos complexos, reconhecer os vieses que influenciam as decisões é importante para avaliar alternativas com mais equilíbrio. Sob pressão ou diante de cenários incertos, gestores podem valorizar excessivamente experiências recentes, priorizar informações que reforçam opiniões prévias ou descartar opções que exigem rever escolhas anteriores. Identificar esses padrões ajuda a estabelecer critérios mais claros e a fundamentar decisões em uma análise mais ampla.
Por que a experiência nem sempre basta?
A experiência profissional ajuda a reconhecer padrões e agir com agilidade, mas também pode levar à aplicação automática de soluções que funcionaram em outras situações. Uma estratégia bem-sucedida no passado não necessariamente produz o mesmo resultado diante de novas condições de mercado, mudanças operacionais ou recursos diferentes.
O risco aumenta quando a familiaridade com um problema reduz a disposição para investigar o cenário atual. Antes de repetir uma decisão anterior, é importante verificar quais condições permanecem válidas e quais mudaram. Essa revisão não elimina o valor da experiência, mas impede que ela substitua a análise das circunstâncias específicas.
Identificar a tendência de confirmar opiniões
O viés de confirmação ocorre quando uma pessoa tende a procurar ou valorizar informações que sustentam uma opinião já formada, dando menos atenção aos elementos que a contradizem. Em uma decisão empresarial, isso pode acontecer quando uma equipe reúne argumentos favoráveis a um investimento, mas examina superficialmente os riscos ou as evidências contrárias.
Uma maneira de reduzir esse efeito é incluir deliberadamente perguntas que desafiem a proposta inicial. Quais informações poderiam indicar que a escolha está equivocada? Que riscos ainda não foram avaliados? Existe outra interpretação possível para os mesmos dados? Haroldo Augusto Filho considera que esse tipo de questionamento ajuda a ampliar a análise antes que uma preferência inicial se transforme em decisão definitiva.

Separar fatos, interpretações e expectativas
Outro cuidado consiste em diferenciar informações verificáveis das conclusões construídas a partir delas. Uma queda pontual nas vendas, por exemplo, é um dado que precisa ser analisado; atribuí-la imediatamente a uma falha da equipe comercial é uma interpretação que exige evidências adicionais. Confundir essas duas etapas pode levar a medidas inadequadas.
Para organizar a avaliação, os responsáveis podem registrar os fatos disponíveis, as hipóteses consideradas e as informações que ainda precisam ser verificadas. Essa separação facilita a identificação de lacunas e reduz o risco de decisões baseadas em suposições. Também torna mais transparente a justificativa escolhida, especialmente quando diferentes áreas participam do processo.
Criar critérios antes de comparar alternativas
Quando os critérios só são definidos depois que uma opção já conquistou preferência, a análise pode acabar favorecendo a escolha inicial. Para evitar esse problema, é útil estabelecer previamente quais fatores terão maior peso, como custo, prazo, capacidade operacional, risco e impacto sobre objetivos estratégicos.
Na avaliação de Haroldo Augusto Filho, a comparação deve aplicar os mesmos parâmetros a todas as alternativas viáveis. Se uma proposta é examinada com rigor financeiro, enquanto outra é avaliada principalmente pela rapidez de execução, o resultado tende a ser desequilibrado. Um conjunto comum de critérios torna as diferenças mais visíveis e ajuda a justificar a escolha sem depender apenas da impressão dos participantes.
Rever a decisão sem transformar isso em indecisão
Uma decisão bem fundamentada não precisa ser tratada como imutável. Novas informações podem alterar as condições que sustentaram a escolha, tornando necessária uma revisão. Para isso, é importante definir quais indicadores serão acompanhados e quais mudanças justificariam reconsiderar o caminho adotado.
Haroldo Augusto Filho, com atuação em gestão de conflitos e estruturação de soluções corporativas, destaca a utilidade de registrar os motivos de uma decisão e as premissas utilizadas. Esse registro permite comparar as expectativas com os resultados observados e identificar erros de avaliação sem depender apenas da memória. Reduzir vieses não significa eliminar a incerteza, mas criar um processo que permita questionar hipóteses, comparar alternativas e corrigir o rumo quando as evidências exigirem.










