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Entenda como ajustar o planejamento financeiro em juros altos com Valdoir Slapak

Valdoir Slapak
Valdoir Slapak

De acordo com Valdoir Slapak, executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, em cenários de juros elevados, o planejamento financeiro construído em períodos de crédito barato deixa de fazer sentido, porque o custo de capital, que antes era marginal, passa a pesar diretamente sobre a viabilidade de projetos e sobre o próprio caixa da empresa. Assim, decisões que pareciam seguras em outro cenário de juros podem se tornar armadilhas financeiras quando as taxas sobem de forma persistente.

Ajustar o planejamento financeiro à nova realidade de juros altos exige rever premissas que muitas vezes permanecem intocadas há anos dentro da empresa.

Por que juros altos exigem revisão do planejamento financeiro?

Um planejamento financeiro construído com premissas de juros baixos costuma subestimar o custo real de qualquer dívida contratada durante o período de crédito mais caro, o que compromete a margem de projetos que dependiam de financiamento para se viabilizar. Projetos que pareciam atrativos em um cenário de juros baixos podem deixar de fazer sentido financeiro sem qualquer mudança na operação em si.

Segundo Valdoir Slapak, empresas que não revisam suas taxas de desconto e premissas de custo de capital diante de um cenário de juros altos correm o risco de aprovar investimentos que, na prática, destroem valor em vez de gerá-lo, mesmo quando os números do projeto pareciam favoráveis na análise original.

Esse problema, como pondera Valdoir Slapak, costuma se agravar em empresas que financiam capital de giro de forma recorrente, porque o aumento nos juros incide diretamente sobre uma necessidade permanente de caixa, e não apenas sobre investimentos pontuais que poderiam ser adiados até que as condições de crédito melhorassem.

Esse impacto recorrente costuma ser subestimado justamente por não aparecer como um evento único e visível, como aconteceria com um projeto de investimento cancelado. Ele se manifesta de forma gradual, corroendo a margem mês após mês até que o efeito acumulado se torne evidente no resultado. 

Como ajustar premissas financeiras à nova realidade de juros?

Revisar o planejamento financeiro em um cenário de juros altos exige atualizar a taxa de desconto usada para avaliar novos projetos, refletindo o custo real de capital disponível no mercado naquele momento, e não taxas históricas que já não correspondem à realidade de financiamento da empresa. Manter taxas desatualizadas distorce completamente a priorização de investimentos.

Na avaliação de Valdoir Slapak, esse ajuste também deve considerar o custo de oportunidade de manter caixa aplicado em vez de investido na operação, porque, em cenários de juros altos, essa alternativa se torna mais atrativa, elevando o padrão de retorno que qualquer novo projeto interno precisa superar para justificar o investimento.

Valdoir Slapak
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Esse recálculo de premissas, por sua vez, deveria ser feito com mais frequência em períodos de juros voláteis do que em períodos de estabilidade, porque decisões tomadas com taxas de poucos meses atrás podem já não refletir o custo de capital disponível no momento da execução do projeto.

Priorizando dívida e capital de giro em juros altos

Em um cenário de juros altos, priorizar a quitação de dívidas com taxas variáveis mais expostas ao aumento de juros costuma gerar mais valor do que buscar novos investimentos com retorno incerto, porque o custo evitado com essa quitação é praticamente garantido, ao contrário do retorno projetado de um projeto novo.

Para Valdoir Slapak, empresas que conseguem antecipar parte de seu endividamento em cenários de juros crescentes reduzem significativamente sua exposição a novos aumentos, mesmo que isso signifique abrir mão temporariamente de caixa que poderia ser direcionado a outras finalidades no curto prazo.

Um exemplo recorrente aparece em empresas que mantêm linhas de capital de giro com taxas atreladas a indicadores de mercado, sem buscar alternativas de renegociação quando os juros começam a subir de forma consistente, acumulando um custo financeiro crescente que corrói a margem operacional ao longo dos meses.

Negociar a substituição dessas linhas por modalidades com taxa fixa, mesmo que ligeiramente mais altas no momento da contratação, costuma proteger a empresa de novos aumentos futuros e trazer mais previsibilidade ao planejamento financeiro de médio prazo.

Construindo resiliência financeira para diferentes ciclos de juros

Um planejamento financeiro resiliente não é construído apenas para o cenário de juros atual, mas para diferentes cenários possíveis ao longo do tempo, testando como a estrutura de capital da empresa se comportaria em cada um deles antes que a mudança de juros efetivamente aconteça. Essa antecipação reduz a necessidade de decisões reativas sob pressão.

Valdoir Slapak conclui que empresas que incorporam múltiplos cenários de juros em seu planejamento financeiro de rotina, e não apenas no momento em que as taxas já subiram, conseguem tomar decisões de investimento e financiamento com mais segurança, porque já sabem de antemão como cada cenário afeta sua estrutura de capital.

Assim, manter essa disciplina de revisão contínua do planejamento financeiro diante de diferentes ciclos de juros é o que permite à empresa atravessar períodos de crédito mais caro sem comprometer sua capacidade de investir quando as condições de mercado voltarem a ser mais favoráveis.