Paulo Roberto Gomes Fernandes comenta que o debate sobre investimentos no setor de petróleo e gás, intensificado ao longo de 2017, ganhou novos contornos ao ser analisado sob a ótica de 2026. Naquele momento, o mercado brasileiro ainda sentia fortemente os efeitos da crise econômica, da retração global nos preços do petróleo e de um ambiente político instável. Ainda assim, já se delineavam sinais relevantes de reorganização estrutural que ajudariam a sustentar um novo ciclo de aportes e reposicionamento estratégico da indústria nos anos seguintes.
Em 2017, a discussão sobre perspectivas econômicas e energéticas passou a incorporar fatores como mudanças regulatórias, retomada de rodadas de licitação e maior interesse de investidores internacionais. Esses elementos, combinados, começaram a redesenhar o cenário do petróleo e gás no Brasil, criando condições mais favoráveis para planejamento de médio e longo prazo.
A reconfiguração do setor após um período de crise
Paulo Roberto Gomes Fernandes recorda que o ano de 2017 marcou uma fase de transição importante para o setor de petróleo e gás. A crise havia imposto restrições severas aos investimentos, afetando cadeias produtivas inteiras e reduzindo o ritmo de novos projetos. No entanto, mesmo nesse contexto adverso, a produção nacional apresentou crescimento consistente, impulsionada pelo avanço do pré-sal, que passou a ocupar papel central na matriz energética brasileira.
A retomada das rodadas de licitação naquele período ampliou a diversidade de empresas atuando no país e reforçou a atratividade das reservas brasileiras. Mudanças no arcabouço regulatório e o aprimoramento de regimes específicos para o setor contribuíram para reduzir incertezas jurídicas e aumentar a previsibilidade dos investimentos. Em retrospecto, esses ajustes foram decisivos para restaurar a confiança do mercado e criar uma base mais sólida para a expansão observada nos anos posteriores.
Investimentos, regulação e competitividade no longo prazo
Conforme esclarece Paulo Roberto Gomes Fernandes, a atração de capital para o setor de petróleo e gás dependeu, desde então, de um conjunto de fatores estruturais. Além da estabilidade regulatória, tornou-se essencial o fortalecimento de políticas industriais de longo prazo, capazes de alinhar interesses de governos, empresas e fornecedores. A competitividade passou a ser tratada de forma mais ampla, envolvendo não apenas custos, mas também eficiência de projetos, planejamento integrado e execução qualificada.

A partir daquele período, o debate sobre infraestrutura ganhou destaque, especialmente em áreas como transporte, logística e processamento. A limitação da malha de dutos e a necessidade de modernização de ativos existentes evidenciaram gargalos históricos. Esses desafios reforçaram a importância de investimentos coordenados em toda a cadeia, desde a exploração até o escoamento da produção, criando oportunidades para soluções tecnológicas e novos modelos de parceria.
Tecnologia, sustentabilidade e eficiência operacional
Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, outro ponto que ganhou força a partir das discussões iniciadas em 2017 foi o papel da tecnologia na viabilização econômica do setor. A queda nos preços do petróleo obrigou empresas a buscar ganhos de eficiência, adotando sistemas mais avançados de automação, análise de dados e gestão de ativos. Essa transformação contribuiu para reduzir custos operacionais e ampliar a rentabilidade mesmo em cenários de preços mais moderados.
Ao longo dos anos seguintes, a integração entre tecnologia digital e operações industriais passou a ser vista como diferencial estratégico. Projetos voltados à sustentabilidade, à redução de riscos e ao aumento da segurança operacional também ganharam espaço, alinhando o setor às exigências ambientais e sociais cada vez mais presentes no mercado global. Em 2026, essas práticas já fazem parte do planejamento padrão das empresas que atuam no segmento.
O amadurecimento das perspectivas para o setor em 2026
Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que as expectativas discutidas para 2018, ainda que cautelosas, ajudaram a estabelecer um horizonte mais realista para o setor de petróleo e gás no Brasil. O otimismo moderado observado naquele período refletia a percepção de que a indústria havia passado por um processo de ajuste profundo e estava mais preparada para enfrentar ciclos de volatilidade.
Com o distanciamento do tempo, fica evidente que o período de crise funcionou como catalisador de mudanças estruturais. A combinação entre reformas regulatórias, avanço tecnológico, diversificação de investidores e fortalecimento do pré-sal permitiu ao setor retomar investimentos de forma mais consistente. Em 2026, o mercado de petróleo e gás brasileiro se apresenta mais maduro, integrado e orientado por critérios de eficiência e sustentabilidade, resultado direto das bases lançadas naquele momento de transição.
Autor: Evans Almuer










