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Tecnologias em ETE: UASB e lodos ativados na prática

Odair Jose Mannrich aplica tecnologias em ETE com UASB e lodos ativados na prática.
Odair Jose Mannrich aplica tecnologias em ETE com UASB e lodos ativados na prática.

A escolha da tecnologia de tratamento em uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) influencia diretamente os custos, a eficiência ambiental e a operação do sistema, e Odair Jose Mannrich, engenheiro e fundador da empresa Versa Engenharia Ambiental, costuma destacar que compreender as diferenças entre os principais processos é essencial para decisões técnicas mais adequadas. 

Anterior a isso, é importante entender que não existe uma única solução válida para todos os contextos. As tecnologias de tratamento devem ser escolhidas considerando fatores como vazão de esgoto, características do efluente, disponibilidade de área, custo de implantação e capacidade operacional do município ou do operador do sistema. Nesse cenário, os reatores UASB e os sistemas de lodos ativados estão entre as alternativas mais utilizadas no Brasil.

Venha saber mais deste conceito e tecnologia no artigo a seguir!

Reator UASB: eficiência com baixo consumo de energia

O reator UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket) é um sistema de tratamento anaeróbio no qual o esgoto flui de baixo para cima, atravessando uma manta de lodo rica em microrganismos que degradam a matéria orgânica. Como não há necessidade de aeração mecânica, o consumo de energia é significativamente menor em comparação a sistemas aeróbios.

Segundo Odair Jose Mannrich, o UASB apresenta boa eficiência na remoção de carga orgânica e permite a produção de biogás, que pode ser aproveitado energeticamente quando há estrutura adequada. Dessa forma, trata-se de uma tecnologia atrativa para municípios de médio porte e regiões com recursos limitados para operação contínua.

Por outro lado, o efluente do UASB geralmente ainda contém nutrientes e patógenos em níveis que exigem pós-tratamento antes do lançamento em corpos d’água. Nesse sentido, é comum a combinação do UASB com lagoas de polimento, filtros biológicos ou sistemas aeróbios complementares.

Lodos ativados: alto desempenho e maior complexidade

Os sistemas de lodos ativados utilizam processos aeróbios, nos quais microrganismos degradam a matéria orgânica na presença de oxigênio. Nesses sistemas, o esgoto é mantido em tanques de aeração, onde ocorre intensa atividade biológica, seguida de decantação para separação do lodo e recirculação da biomassa.

Tecnologias em ETE com UASB e lodos ativados analisadas por Odair Jose Mannrich.
Tecnologias em ETE com UASB e lodos ativados analisadas por Odair Jose Mannrich.

Essa tecnologia apresenta alta eficiência na remoção de matéria orgânica e pode ser adaptada para remoção de nutrientes, como nitrogênio e fósforo, quando necessário. Portanto, é amplamente utilizada em áreas urbanas com exigências ambientais mais rigorosas.

Entretanto, os sistemas de lodos ativados demandam maior consumo de energia, operação mais complexa e controle técnico contínuo. Conforme explica Odair Jose Mannrich, sua viabilidade depende da capacidade do operador em manter equipes treinadas e infraestrutura adequada de monitoramento.

Comparação entre UASB e lodos ativados

Ao comparar as duas tecnologias, é possível observar diferenças claras em termos de custo, operação e desempenho. O UASB se destaca pelo baixo consumo energético e simplicidade operacional, enquanto os lodos ativados oferecem maior qualidade de efluente tratado, porém com maior custo de implantação e operação.

Cabe ressaltar que o UASB ocupa menor área em relação a lagoas, mas pode exigir unidades complementares para atingir padrões ambientais mais restritivos. Já os lodos ativados, embora mais compactos em termos de eficiência por área, exigem maior investimento em equipamentos eletromecânicos.

Diante disso, o engenheiro Odair Jose Mannrich destaca que a escolha entre esses sistemas não deve ser baseada apenas na eficiência de remoção, mas em uma análise integrada de viabilidade técnica, econômica e institucional.

Integração de tecnologias para melhores resultados

Em muitos projetos, a solução mais eficiente envolve a combinação de tecnologias. O uso de UASB seguido de sistemas aeróbios de pós-tratamento permite aproveitar o baixo custo inicial e a produção de biogás, ao mesmo tempo em que se alcançam padrões mais elevados de qualidade do efluente, informa Odair Jose Mannrich.

Essa abordagem híbrida tem sido adotada em diversas ETEs no Brasil, especialmente em cidades em crescimento, onde a demanda por desempenho ambiental aumenta ao longo do tempo. Dessa maneira, o sistema pode ser ampliado ou modernizado conforme as exigências regulatórias se tornam mais rigorosas.

Gestão do lodo e impactos operacionais

Tanto nos sistemas UASB quanto nos de lodos ativados, a gestão do lodo gerado é um componente crítico da operação. O lodo precisa ser estabilizado, desidratado e destinado de forma ambientalmente adequada, o que influencia diretamente nos custos e na logística do sistema.

Além disso, falhas no manejo do lodo podem comprometer o desempenho da ETE e gerar impactos ambientais relevantes. Portanto, o planejamento da tecnologia deve incluir soluções para tratamento e destinação final desse resíduo.

Decisão técnica como base da sustentabilidade

A escolha entre UASB, lodos ativados ou sistemas combinados deve ser resultado de análise técnica detalhada, considerando não apenas eficiência de remoção, mas também viabilidade operacional e sustentabilidade econômica. Cada município e cada empreendimento apresentam desafios específicos que exigem soluções personalizadas.

Como resume o engenheiro Odair Jose Mannrich, a tecnologia em saneamento deve estar alinhada à realidade local e à capacidade de operação ao longo do tempo. Quando a decisão é bem fundamentada, a ETE se torna um instrumento eficaz de proteção ambiental e promoção da saúde pública, cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento urbano sustentável.

Autor: Evans Almuer