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Mato Grosso entra hoje no período proibido de queimadas na Amazônia e no Cerrado

Mato Grosso entra hoje no período proibido de queimadas na Amazônia e no Cerrado
Mato Grosso entra hoje no período proibido de queimadas na Amazônia e no Cerrado

Estado registrou redução de 71% nas áreas atingidas pelo fogo e amplia fiscalização antes da temporada mais crítica do ano.

A partir desta quarta-feira, 1º de julho, Mato Grosso entra oficialmente no período proibitivo para uso e manejo do fogo nos biomas Amazônia e Cerrado, medida que já estava em vigor no Pantanal desde 1º de junho. A pergunta que fica no ar para quem vive no interior do estado é simples: depois de um ano de resultados positivos no combate às queimadas, o que muda de fato na prática para produtores rurais e moradores de áreas próximas a matas e pastagens? Segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, o estado teve queda de 71% nas áreas atingidas pelo fogo em comparação com anos anteriores, com o Pantanal mato-grossense figurando entre as regiões mais preservadas do país neste período.

O que muda com o início do período proibitivo

Durante o período proibitivo, fica vetado o uso do fogo para limpeza de terrenos, renovação de pastagens ou qualquer outra prática agrícola sem autorização específica dos órgãos ambientais. A medida busca reduzir o número de focos de incêndio justamente no momento em que a vegetação fica mais seca e o risco de propagação das chamas aumenta de forma significativa. No Pantanal, a restrição já está em vigor desde o início de junho, um mês antes do restante do estado, por conta das características específicas do bioma, mais sensível a queimadas de grande extensão.

Entre janeiro e agosto do ciclo anterior, cerca de 859,5 mil hectares foram atingidos pelo fogo em Mato Grosso, mas menos de 1% dessa área correspondeu ao Pantanal mato-grossense, com 5.800 hectares afetados. O comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA) atribuiu o resultado a uma combinação de fatores: reforço da fiscalização, investimento em equipamentos e condições climáticas favoráveis, com temperaturas mais amenas e volume de chuvas acima da média em determinados períodos. Ainda assim, as autoridades reconhecem que boa parte dos focos de calor registrados durante o período proibitivo ocorre em áreas federais, territórios indígenas e assentamentos, locais em que a fiscalização estadual não tem competência direta e que exigem articulação com órgãos federais.

Os investimentos por trás da queda nos incêndios

Parte da melhora nos números está ligada a um investimento de R$ 78 milhões do Governo de Mato Grosso destinado ao Corpo de Bombeiros Militar, voltado ao fortalecimento da estrutura e da capacidade operacional da corporação. Os recursos financiaram, entre outras ações, a instalação da Sala de Situação Descentralizada do Pantanal, em Poconé, criada para monitorar continuamente os focos de calor no bioma em tempo real e permitir uma resposta mais rápida diante de qualquer início de incêndio.

Outra ferramenta apontada como decisiva foi o Sistema Integrado de Cadastro de Recursos para Apoio aos Incêndios Florestais (Sicraif), que hoje conta com cerca de oito mil recursos cadastrados, entre brigadistas, maquinário, propriedades, equipamentos e aeronaves disponíveis para mobilização emergencial. Esse tipo de cadastro facilita a logística no momento em que um foco de incêndio é identificado, já que reduz o tempo de deslocamento de equipes e equipamentos até a área afetada. Ambientalistas ouvidos por veículos especializados também destacam que o reforço na fiscalização contra o desmatamento teve efeito colateral positivo sobre as queimadas, já que boa parte dos incêndios em áreas de vegetação nativa costuma ocorrer justamente depois do corte ilegal de árvores.

O que produtores e moradores precisam saber agora

Para quem trabalha no campo, o principal cuidado neste período é buscar autorização junto aos órgãos ambientais antes de qualquer prática que envolva queima controlada, já que o descumprimento da proibição pode resultar em multas e outras sanções previstas em lei. Manejo integrado do fogo, quando autorizado, continua sendo uma ferramenta permitida em situações específicas, mas sempre mediante licenciamento e acompanhamento técnico.

O cenário de 2026 ainda preocupa parte dos especialistas em clima, que apontam para uma possível intensificação do El Niño no segundo semestre, com chuvas abaixo da média e temperaturas mais altas em boa parte do Centro-Oeste. Mesmo com os bons resultados do último período, a recomendação das autoridades estaduais é de que produtores rurais e moradores de áreas de risco mantenham a atenção redobrada, evitando qualquer prática que possa gerar focos de incêndio, mesmo os aparentemente pequenos, já que a velocidade de propagação do fogo em época de seca costuma surpreender.

Fontes consultadas: Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso | CNN Brasil