Mato Grosso completou, em 2026, 30 anos sem registrar novos focos de febre aftosa. O último caso da doença no estado ocorreu em janeiro de 1996, segundo o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT). Desde então, a manutenção da sanidade do rebanho passou a ser um dos pilares da pecuária mato-grossense e da estratégia de proteção dos mercados consumidores.
A marca foi divulgada em 29 de setembro de 2026 pelo Sistema Famato, que destacou a importância da continuidade das ações de prevenção. O resultado representa uma trajetória de três décadas sem ocorrência da enfermidade, mas não elimina a necessidade de acompanhamento permanente das propriedades, dos animais e do trânsito pecuário.
Estado avançou para a condição sem vacinação
Além do período prolongado sem registros, Mato Grosso passou por uma mudança relevante na política sanitária. A vacinação contra a febre aftosa em bovinos e bubalinos foi suspensa no estado em 2023. No ano seguinte, em 2024, o território mato-grossense foi reconhecido nacionalmente como livre da doença sem vacinação, conforme as informações apresentadas pelo Indea-MT.
O status diferencia a atual etapa da anterior, baseada na imunização sistemática dos animais. Com a retirada da vacina, a vigilância oficial e a responsabilidade dos produtores ganham ainda mais importância para identificar rapidamente qualquer sinal suspeito e impedir a eventual disseminação do vírus.
A febre aftosa é uma doença que pode atingir animais de casco fendido e provocar impactos sanitários e econômicos relevantes. Por isso, a ausência de focos precisa ser acompanhada por medidas de controle, atualização das informações das propriedades e comunicação imediata aos serviços veterinários oficiais.
Vigilância continua sendo essencial
De acordo com as orientações do Indea-MT, produtores devem observar sinais clínicos compatíveis com a doença, como febre, salivação excessiva e lesões na boca e nos cascos. Em caso de suspeita, a recomendação é procurar imediatamente o serviço veterinário oficial, sem aguardar a evolução do quadro ou tentar resolver a situação sem orientação técnica.
O controle do trânsito de animais também integra a rotina de defesa sanitária. A movimentação precisa seguir as exigências oficiais, enquanto os cadastros das propriedades devem permanecer atualizados. Essas informações permitem ao poder público acompanhar o rebanho, localizar eventuais ocorrências e organizar respostas em caso de risco.
A manutenção do status sanitário depende, portanto, de uma atuação conjunta entre produtores rurais, profissionais da área, entidades do setor e órgãos de defesa agropecuária. A comunicação de suspeitas e o cumprimento das regras não são apenas procedimentos administrativos: fazem parte da proteção coletiva do rebanho e da atividade pecuária.
Sanidade fortalece a pecuária e os mercados
Para o Sistema Famato, a condição sanitária de Mato Grosso está relacionada à abertura e à manutenção de mercados internacionais para as cadeias de proteína animal. Em um estado com forte participação na produção pecuária, a confiança na origem e na situação sanitária dos animais contribui para a competitividade da carne mato-grossense.
O reconhecimento também se conecta ao cenário nacional. O Ministério da Agricultura e Pecuária informa que o Brasil recebeu, em maio de 2025, o reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
A conquista nacional amplia a relevância do trabalho realizado nos estados, mas não substitui a vigilância local. Mesmo sem novos focos há 30 anos, a possibilidade de reintrodução do vírus exige atenção contínua. A prevenção permanece como a principal ferramenta para preservar o rebanho, a economia ligada à pecuária e o acesso a compradores que adotam exigências sanitárias específicas.
Próxima etapa exige participação do setor
O aniversário de três décadas sem febre aftosa representa um marco para Mato Grosso, mas também funciona como um alerta sobre a necessidade de manter as práticas de defesa animal. A suspensão da vacinação e o reconhecimento como território livre sem vacinação inauguraram uma fase em que a identificação precoce de sinais e a resposta rápida se tornam ainda mais decisivas.
Ao produtor, cabe manter os registros da propriedade em dia, observar os animais e comunicar qualquer suspeita. Aos órgãos oficiais, compete preservar as ações de vigilância e orientação. A continuidade desse esforço é o que poderá manter Mato Grosso livre da febre aftosa e proteger a relevância da pecuária estadual nos mercados brasileiro e internacional.










